sexta-feira, 14 de julho de 2017

Edição Especial: Girassois de Verão!




Mas quem é que nunca se deixou maravilhar por um campo de girassois!?!? Em Portugal, sobretudo nos campos do Alentejo, é difícil não ficar deslumbrado com as extensões a perder de vista de girassois geometricamente perfilados com milhões de infloresçências a moverem-se de forma sincronizadas e perfeita em torno do Sol.

São uma das nossas imagens de marca  e estão indissociavelmente ligados às memórias de muitos dos nossos Verões. Daí que mesmo não sendo uma espécie nativa do nosso país é, como outras, uma espécie que já ganhou direitos de cidadania no nosso imaginário.

E não é por falta de outras plantas autóctones, que também florescem no Verão e que por aí existem debaixo dos nossos olhos, à espera de ser vistas! Mas esta espécie, originária do continente americano, e com tantas qualidades ao ponto de hoje ser uma importante cultura em todo o mundo, é demasiado emblemática para que não lhe prestemos a devida homenagem.

 Faz por isso todo o sentido termos uma edição especial de sementes de girassol! Num pacote com um design também ele especial, juntámos cerca de 50 sementes prontas a serem semeadas e a florir em qualquer varanda, terraço ou jardim. A variedade é de pequeno porte - cerca de um metro de altura e tem uma floração abundante e demorada! Acresce a isto que é de fácil germinação e, com alguns cuidados, cresce muito rapidamente!

A partir deste fim de semana e até ao fim do Verão estarão disponíveis apenas em algumas lojas parceiras das Sementes de Portugal: Na Vida Portuguesa em Lisboa e Porto; Na Casa da Bli, em Lagos,  na Casa das Portas, em Tavira e nas lojas Bairro Arte, de Porto e Lisboa.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Tempo de colher



À semelhança de anos anteriores o Verão é para nós a estação das colheitas por excelência e como tal uma das alturas de mais trabalho no ano. Daqui até Setembro a nossa principal preocupação será a de preparar a nova época de sementeiras que se iniciará nos fins de Setembro/inícios de Outubro.

Estamos a renovar os nossos stocks e é já certo que iremos acrescentar novas espécies, seja no nosso catálogo geral de sementes seja no nosso catálogo de pacotes que conta actualmente com 50 espécies mas que nós pretendemos fazer crescer até ás 60.

O Verão não é a melhor altura para semear, mas sendo o período de férias por excelência, é o tempo de descansar e de começar a pensar que sementes gostaríamos de germinar no próximo Outono. De Norte a Sul de Portugal as sementes das espécies mais emblemáticas da nossa flora estão disponíveis nas lojas de que mais gostamos no nosso país.

Por fim e sendo certo que os máximos de floração já ocorreram na Primavera, convém não ignorar que durante o Verão ainda há espécies autóctones em floração. Em menor número, é certo, mas de tonalidades inconfundíveis. Como os campos de azul-celeste de chicória, ou almeirão, que nos acompanha de meados de Junho até meados de Agosto, e que é uma das nossas preferidas como escrevemos AQUI.

Mas há mais espécies de encher o olho que nas próximas semanas iremos partilhar aqui. Até lá, boas férias, ou se preferirem, o mesmo é dizer, boas colheitas!


terça-feira, 20 de junho de 2017

Solstício de Verão 2017


Costumamos e gostamos de assinalar equinócios e solstícios. O de Verão, particularmente, por ser o início da estação que geralmente associamos aos dias longos e às férias. Por ser época de santos populares, festas e romarias. Para nós ainda, por ser a época de colheitas e por, apesar de ser a época mais seca, ainda se vislumbrarem aqui e ali muitas das flores silvestres às quais atribuímos valor, seja ele ornamental ou outro.

Este ano porém, o solstício, que ocorrerá esta madrugada pelas 5h24m, de acordo com o AOL, será marcado pelos muitos fogos que ainda lavram na região centro do país  e que, numa dimensão trágica inimaginável, conduziram à morte 64 pessoas.

Não poderá ser um solstício de celebração e será seguramente e para sempre um dos Verões de pior memória para nós. Lembrar os que perderam a vida em Pedrogão Grande este Verão será a imagem que nos vai acompanhar nos próximos 3 meses.

Mas se não há nada que os possa trazer de volta à vida, que a sua trágica morte possa motivar o sobressalto que todos nós, enquanto sociedade, lhes devemos para que tragédias idênticas não se repitam.

Um sobressalto que nos faça perceber de uma vez por todas que, longe de sermos os melhores dos melhores, falhamos muito e em muita coisa enquanto povo. E em toda a linha em matéria de ordenamento e gestão do nosso território, onde devemos competir nos últimos lugares da tabela com o Haiti ou a ilha da Páscoa.

Aqui chegados dispensamos-nos a juntar mais bitaites sobre o diagnóstico. Pelo menos desde 2003, ano em que ardeu Oleiros, que as causas profundas estão identificadas pelos mais diversos especialistas. O prof. Jorge Paiva, O  Arq. Ribeiro Teles, o Prof. Nuno Gomes da Silva, Luís Alves, Pedro Bingre do Amaral e tantos, tantos  outros,  já explicaram de forma detalhada que o nosso território não suporta as extensões de monoculturas de eucalipto e pinheiro que as fileiras industriais pretendem; Que a solução passa pela constituição de unidades de gestão minimamente dimensionadas que, dotadas de recursos e capacidade efectiva de acção, promovam povoamentos  mistos com outras espécies, nomeadamente autóctones; que, se necessário for, o Estado deverá expropriar amplas parcelas de território.

Embora nem tudo se possa assacar ao Estado - quantos de nós, que nos emocionamos no conforto dos nossos sofás, não tem uma parcela de terra ao abandono!? - É a este que, no conjunto das lideranças politicas e da administração pública, cabe a responsabilidade de gerir o território e os diferentes actores que nele se movimentam, nomeadamente: industrias, populações e autarquias.

E foi aí que o nosso Estado, lideres políticos eleitos+administração pública, central e local, falhou total e redondamente nos últimos 40 anos. Não são necessárias demissões deste governo em particular, porque todos os anteriores foram incompetentes. Mas também não podemos aceitar que hoje apenas se nos ofereçam de mão vazias, voz embargada, olhos húmidos e desorientados para daqui a menos de dois meses rejubilarem de alegria a abraçar despudoradamente turistas nas praias do Algarve.

Porém, quando morrem estupidamente 64 cidadãos, não é mais possível continuar a empurrar com a barriga e a assobiar para o lado. Nem insistir em fórmulas e estruturas que já provaram não serem capazes. O que precisamos de saber é tão simples como o que é que de novo se está disposto a fazer para repensar seriamente o ordenamento do território e da nossa floresta. Sem hipocrisias. Se for mais do mesmo dos últimos 15 anos, mais livros brancos, mais prós e contras da Fatima Campos Ferreira, para, depois, no fresquinho dos gabinetes de Lisboa, se concentrarem em mais medidas de apoio à produtividade da fileira de celulose e contratos milionários para o combate às chamas, o melhor será mesmo assumirem de uma vez por todas a sua incapacidade e que amplas áreas do país estão subtraídas à nossa soberania e concessionadas à lei da indústria mais forte.

E, se for esse o caso, se for impossível, se a República não tem nem o dinheiro nem a capacidade, a única coisa que nos restará fazer, se pretendemos manter ainda alguma dignidade, será então evacuar permanentemente as poucas populações que por lá ainda agonizam. Dar-lhe novas oportunidades de vida digna no litoral e, por misericórdia, evitar que morram carbonizadas.

E as televisões portuguesas que descubram outros espectáculos degradantes para entreter as massas. Nem imaginação, nem drones lhes faltam,  tantas são as vezes que por estes dias tanto nos têm lembrado até à náusea os filmes "Jogos da Fome",  provando que também aqui a realidade ultrapassa com muita facilidade e largamente a ficção.


domingo, 18 de junho de 2017

Homicídio por negligência


43 mortos até ao momento. Dezenas de feridos. O que aconteceu ontem no norte do Distrito de Leiria não necessita de condolências nem de afectos de compaixão dos nosso decisores políticos. Necessita isso sim de tomadas sérias de decisão que de uma vez por toda compreendam que sem gestão do território não será possível evitar esta e outras catástrofes vindouras.

Quem permitiu que todas aquelas serras, terras de carvalhos e castanheiros e de ribeiras fosse entregue ás monoculturas de eucaliptos e pinheiros, de ambos os lados de toda qualquer via de comunicação, num continuo de matéria altamente inflamável, é na realidade culpado por homicídio. Pode ser por negligência, pode ser por incúria e até nunca ser confrontado com isso, mas em consciência sabe que é isso que se trata!

E não venham os especialistas doutorados nos EUA dizer que tudo o que necessitamos é fazer uma sábia e inteligente gestão do fogo! Não caríssimos professores doutores. É necessário de uma vez por todas impor regras tão simples como: Em cada Km2 o limite afectável às monoculturas não pode ultrapassar os 20%. Ou, por cada eucalipto ou pinheiro plantado têm de estar identificados onde serão plantados 9 carvalhos ou outras folhosas.

Sem que isto se faça, é continuar a morrer. Uns assados, outros de vergonha!

terça-feira, 13 de junho de 2017

Plantas do Estio Algarvio

Plantas em flor no início do Verão Algarvio, Horta da Lapa- Algoz, Algarve

Há pouco mais de uma semana fizemos referência aos benefícios do clima atlântico que caracteriza a região do Porto e que lhe permite dispor de jardins e espaços verdes de causar alguma inveja.

Mas o facto é que a maior parte do país não goza de tanta chuva, enquadrando-se no que se convencionou chamar de clima mediterânico, com uma estação seca é severa e prolongada. E pretender ter aí os jardins que se vêm no Porto, ou em Inglaterra, é evidentemente, pouco aconselhado. Em vez de espaços de fruição o máximo que se consegue são sorvedouros de água.

O Algarve - essa região que bem vista com atenção é seguramente o segundo reino maravilhoso de que dispomos no nosso território, é a nossa região de clima de tipo mediterrânico por excelência: a uma semana do início oficial do Verão, há pelo menos 15 dias que ele na realidade já por aqui se instalou, com as searas já maduras e os serros a caminharem para a secura.

Porém, contrariamente ao que se possa pensar, há ainda muita cor que poderá inspirar outras jardinagens que se queiram libertar do "tem que ser assim" e pretendam construir  espaços mais consentâneos com as características do solo e clima da região. 

Nessa jardinagem, que acontecerá inexoravelmente, são muitas as espécies endógenas da flora Algarvia que se poderá escolher. Mas há quatro que serão de certeza incontornáveis: O tomilho-de-creta (Thymbra capitata), a perpétua-das-areias (Helichrysum stoechas), o fel-daTerra (Centaurium erythraea) e os suspiros-dos-montes (lomelosia simplex).

Quem achar que são outras as cores que os ocres do Algarve pedem, que se chegue à frente!


sexta-feira, 2 de junho de 2017

Serralves em Festa


Pelo menos em matéria de jardins e espaços verdes, sempre que se regressa a Portugal oriundos de Inglaterra é de todo recomendado que se faça um estágio de aclimatação antes de entrar na realidade do nosso dia-a-dia. Assim como que de uma câmara hiperbárica se tratasse, mas ao contrário, porque neste caso o objectivo é o de permitir que os olhos se habituem a "pressões atmosféricas" mais cruas.

E no caso do nosso país, o melhor sítio por onde se deve começar a submergir é pelo Porto. É um facto que a região tem um clima atlântico, mais próximo do das ilhas britânicas, mas também é verdade que a cidade tem sabido aproveitar o facto e é, de longe, a cidade portuguesa com melhores jardins e espaços verdes do nosso país.

Certo que sempre com muita coisa para melhorar, mas o que já existe é muito bom e  não envergonha ninguém. Pelo contrário, com Serralves à cabeça, o Porto tem já diversos espaços e iniciativas que o colocam no capítulo do que de bom pode e deve ser feito.

Serralves é para nós o JARDIM que temos em Portugal, com muito poucos a conseguirem ombrear com o seu desenho, dimensão e diversidade. Há sempre motivos para ir a Serralves e este fim-de-semana decorre um dos eventos que justificadamente mais pessoas atrai: Serrlaves em Festa, o mesmo é dizer 50 horas non-stop de exposições, espectáculos de música, dança, workshops e dezenas de eventos, conforme pode ser consultado no programa, AQUI.

Nós também lá iremos estar e é possível encontrar as nossas sementes na caixa-expositora disponível na loja do Museu de Serralves!

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Chelsea Flower Show 2017


O que é que um dos maiores eventos dedicado à jardinagem do mundo, realizado em Londres, tem a ver com um projecto focado na flora silvestre de Portugal? À primeira vista pouco terá em comum, porém, a ortodoxia nunca foi o nosso forte e ter tido a oportunidade de o visitar além de um privilégio é a janela que também gostaríamos de manter aberta de par em par.

Mas, mais do que um gosto, é um traço essencial para a identidade do que pretendemos fazer. Sendo insuspeitos sobre o muito que apreciamos no nosso país, o pior que nos podia acontecer seria cair no erro de pretender que nada de melhor existe fora de portas ! E numa altura em que o discurso vigente é o de nos convencer a todos de que somos incríveis e a um passo de tudo ser declarado património da humanidade, é de elementar higiene verificar o que afinal se faz la fora.

E FAZ SE MUITO!! Inglaterra, ou o Reino Unido se preferirmos, têm uma longa tradição em matéria de jardinagem. É um facto que o seu clima ajuda e também é um facto de que se trata de uma sociedade rica que tem recursos para dedicar ao tema. Mas só isso não explica a verdadeira obecessão que os ingleses têm com os seus jardins. Este povo persegue a Beleza e ama verdadeiramente a Natureza e de forma muito consistente há pelo menos 300 anos. Visitá-los não é motivo de inveja e apenas pode servir de inspiração!

O RHS Chelsea Flower Show 2017, que decorre esta semana no bairro de Chelsea, é indiscutivelmente um dos pontos altos para os amantes de jardins de todo o Mundo. Atrai centenas de milhares de visitantes e de profisisonais em busca do que de melhor se está a fazer neste momento nesta área. E não são só Flores o que se pode ver por lá. São dezenas de stands de tudo o que possamos imaginar como estando relacionado com a jardinagem: mobiliário de Jardim, casas especializadas em utensílios, iluminação, rega, pergolas, estufas, toda a espécie de artesanato em madeira e metal. São dezenas de ideias para que qualquer um possa fazer do seu jardim o paraíso merecido!

Se não é difícil ficar com surpreendido com a diversidade menos ainda é ficar boquiaberto com a verdadeira sofisticação que em matéria de arte para jardins se pode alcançar. São inúmeros os escultores, artistas plásticos e instaladores de trabalhos em pedra, metal e madeira, com identidades e técnicas muito diversificadas, de largas milhares de libras, que acrescentam o remate final de beleza que muitos estão dispostos a pagar.

Em matéria de flores e jardinagem propriamente dita, poderemos, de forma resumida, dizer que são duas as principais áreas de interesse: O grande pavilhão Central, onde viveiros especializados de todo o Reino Unido exibem o melhor da sua produção, e os diferentes jardins, instalados ao longo das últimas semanas e que "transplantam" para o espaço da exposição jardins completos. Este anos eram 22 em diferentes categorias a concurso.


Visitar o Pavilhão central não é definitivamente para cardíacos! O nível de sofisticação que muitos produtores alcançam - e existem especialistas em todos os géneros usualmente utilizados em jardinagem: desde orquídeas, rosas, tulipas, dálias, vegetação aquatica, acers, peónias, entre muitos outros, é do melhor que se alcançou até ao momento. É o reino dasovas variedades apuradas, cultivares e híbridos que competem pelas cores e formas mais inesperadas. Não é naturalmente a nossa áreas preferida, mas não deixa de ser interessante observar a inexistência de limites nesta matéria. Um aspecto interessante é observar como alguns espécies silvestres de todo o mundo estão a captar um interesse crescente.  compreensível regresso ao "simples" depois dos excessos.

Por fim, a secção que afinal mais motivou a nossa visita a este Chelsea Flower Show. Os jardins instalados ao longo das últimas semanas por equipas de dezenas de pessoas que tiveram a missão de garantir que tudo estaria apresentável (vivo!) nesta semana.

Neste particular a sofisticação é igualmente grande. São em regra projectos apenas exequíveis com o patrocínio de grandes empresas que dispensam orçamentos generosos para que designers de jardins e arquitectos paisagistas concebam espaços inspiradores das novas tendências em matéria de jardinagem.  Sem nos demoraremos nos 22 jardins em concurso,  é visível a influência que a flora silvestre e os diferentes ecossistemas têm no desenho de jardins que se querem cada vem mais sustentáveis, povoados de outras formas de vida e adaptados às condições de solo e clima de cada lugar .  Esta tendência esta bem patente nos jardins de Yorkshire ou do Wellington´s college, mas os holofotes deste ano foram todos para um jardim de flora mediterrânica.


Desenhado pelo designer James Basson, o melhor jardim do certame replica uma antiga pedreira de calcário, abandonada, de Malta e lembra a extrema vulnerabilidade dos ecossistemas daquela ilha. A flora utilizada, toda nativa, não nos poderia fazer mais lembrar a nossa: Desde eufórbias, centranthus, echiums, ferulas, stipas giganteas, alfarrobeiras, entre muitas outros géneros que também ocorrem no nosso país!

E se existiam dúvidas sobre o que faríamos no melhor evento de jardinagem do mundo, o prémio deste ano dissipa-as todas, confirmando que, na dúvida, o melhor é, sempre foi e sempre será... ter as janelas abertas!

terça-feira, 23 de maio de 2017

Regressar a casa em Londres


Se em Paris, no meio de tanta abundância de jardins e espaços verdes, não temos duvidas em sugerir o Jardin Alpin como sendo o nosso preferido, em Londres o problema do excesso de oferta também se resolve facilmente: a pérola dos jardins de Londres, de visita obrigatória,  é o Chelsea Phisic Garden.

Na realidade mais do que um jardim -  é o segundo jardim botânico mais antigo de Inglaterra, a seguir ao de Oxford, é, de certa forma,  "o espaço fundador" de toda a tradição britânica em matéria de botânica e jardinagem desde que em 1673 a sociedade dos boticários/farmaçêuticos de Londres estabeleceu um jardim inteiramente dedicado ao estudo das propriedades medicinais das plantas.

Sendo reconhecida a importância que teve na disseminação do estudo da botânica por toda a Europa - a titulo de referência, Lineu, considerado o pai da botânica moderna, passou por lá no início da sua carreira, a sua consistente actividade ao longo destes 350 anos bem como as suas colecções de plantas, organizadas num espaço que não chega a um hectare e meio, continuam a fazer deste jardim um dos sítios incontornáveis de Londres.

Não resistimos, porém, a partilhar o que para nós é um motivo adicional para o visitar sempre que temos a oportunidade de vir a Londres. De certa forma, o nosso interesse pela flora autóctone portuguesa foi aqui amplamente estimulado quando o visitámos a primeira vez há cerca de 15 anos. 

Na altura, como ainda hoje - embora a qualidade das fotos não o facilite, são incontáveis as espécies da flora silvestre do nosso país que aqui têm lugares de destaque: eufórbias, centranthus, iberis, Echium(s) e iris, entre muitos outros géneros. Para não referir as espécies medicinais e aromáticas mais óbvias como o alecrim, a borragem, o cardo-mariano ou o tomilho.

Daí que, numa das muitas ironias proporcionadas por essa mania deste país em ter as fronteiras abertas, o nosso projecto pode considerar-se como beneficiário directo dessa longa tradição de disseminação de conhecimento empreendida pelo  Chelsea Phisic Garden desde 1673. Ou, dito de outra forma, para nós visitá-lo é, e será sempre, uma das muitas formas de regressarmos a casa!

sábado, 20 de maio de 2017

Retemperar a auto-estima em Paris



Estes são dias em que, podendo, se deve ficar em Portugal. Caso contrário o mais certo é que não só se percam muito rapidamente os 20 cm ganhos à conta dos irmão Sobral, como a constatar que ainda nos faltam outros tantos para igualar o que de muito bom se faz noutros sítios.

É verdade que ninguém nos disse a que altura se adicionavam os tais centímetros, mas, independentemente das razões que nos levam à esquizofrenia de muito rapidamente passarmos de bestas a bestiais, sempre por obras e graças terceiras - as quais estão estudadas  e são há vários séculos conhecidas, o facto é que não há nada como respirar noutras paragens para perceber que podemos sempre ambicionar  melhor. E não será preciso inventar nada, basta copiar ou deixarmos-nos inspirar para mais tarde podermos recriar à nossa maneira.

Paris, evidentemente, dispensa qualquer apresentação e mesmo no que é particular da jardinagem e dos espaços verdes é amplamente conhecido o muito que a cidade tem para oferecer. Aos jardins formais da escola francesa de Le Notre, passando por uma rede de novos jardins em todos os quadrantes da cidade destinados ao usufruto dos cidadãos até  aos diferentes pólos do jardim botânico da Paris, que albergam mais de 15.000 espécies diferentes e diversos jardins privados dignos de visita, o difícil é sempre o que escolher para visitar.

E como a fartura é muita e de boa qualidade não haverá grandes riscos de desapontamento ou tempo perdido. Porém, a ter que partilhar uma sugestão a nossa preferência vai inquestionavelmente para o Jardin des Plantes, integrado no museu de historia natural de Paris.

Fundado em 1635 por Luis XIII que ali criou o primeiro jardim real das plantas medicinais, foi crescendo ao longo dos tempos e alberga hoje pelo menos dois espaços que são de visita obrigatória: O primeiro é a Escola Botânica, onde centenas de plantas, não só da Europa mas também de outros climas temperados, estão organizadas de forma cientifica por classes ou grandes famílias. O segundo, ao lado do primeiro, é o jardim Alpino que congrega em pouco mais de 4000 metros quadrados, mais de 2000 plantas oriundas de regiões montanhosas como os Alpes, mas também Pirenéus, Atlas, Urais e até Himalaias. Em comum têm o facto de serem provenientes de climas hostis e com pouca água e de não usarem essa dificuldade para se relaxarem em matéria de beleza.

Qualquer um dos espaços justifica por si só diversos textos, mas a ideia deste, mais do que descrever à exaustão o que lá se pode ver, é mesmo o de estimular a sua visita, a qual seguramente preencherá pelo menos uma manhã bem passada!

No caso do Jardim Alpino, que tem a sua actual forma desde 1930, e que para nós é a jóia da coroa, além da inequívoca beleza, interessa observar a incrível variedade de espécies que no mesmo género pode ocorrer ao longo de toda a Europa ou, por exemplo, de todo o mediterrâneo. Géneros que possuem espécies endémicas em Portugal e outras completamente diferentes no outro extremo geográfico. 

Como toda a gente sabe por estes dias, as espécies que ocorrem em Portugal são muito boas, as melhores das melhores. Mas há outros verbascos, outras abróteas, outros hipericões e outros cistus. Salvias, papoilas e alhos estranhos. Gerânios e giestas de outros portes. Cores e formas completamente diferentes num festival de diversidade que faz deste pequeno jardim, de pouco mais de 4000 metros quadrados, no centro de Paris, possivelmente o jardim mais cosmopolita da cidade.

Um cosmopolitismo que em 1930 deve ter sido de um grande atrevimento. Certamente só possível por ainda não se terem descoberto maquinas de inventariação genética: Misturar no mesmo espaço espécies que evoluíram separadamente, correndo severos riscos de promover  uma insuportável miscigenação das mesmas, perdendo purezas genéticas preciosas, é algo que ainda hoje em dia nos deixa, a nós e a muita gente, os cabelos em pé e à beira de justificada ansiedade!




quarta-feira, 17 de maio de 2017

Tempo de celebrar e usufruir!


Qualquer mês de Maio é, por si só, um tempo de celebração! O primeiro mês do calendário celta tem sempre essa virtuosidade e por muito que nos tenhamos urbanizado, é da maior vantagem dar conta da natureza cíclica de tudo o que nos rodeia. Há um tempo para semear, outro para descansar, mas também para celebrar com gratidão a generosidade da vida de que temos o privilégio de fazer parte.

O dia das Maias é um dia de celebração, como o é o dia da Espiga que assinalámos antecipadamente no dia 7 deste mês na Herdade do Freixo do Meio. 

Importa-nos também constatar que não há só uma Primavera e que desde que ela se iniciou há quase dois meses, todos os dias tivemos uma primavera diferente. A de meados de Maio não é a mesma da meados de Março. Os verde-limão das primeiras folhas forma dando lugar a outras cores e formas de vida num crescendo de exuberância que invade os nossos olhos. É a mesma estação? É. Mas que se foi  transformando todos os dias mais um bocadinho conduzindo-nos suavemente ao tempo de usufruto e de colheita que marca o Verão.

E esta é a razão essencial para assinalar com novas cores os próximos meses que temos pela frente. Não serão tempos de semear  e até que voltem a estar reunidas as condições, lá para o fim de Setembro, daqui a 3 meses, procuraremos sobretudo partilhar as mil e uma maneiras de como é possível usufruir estes meses  preparando outros.

Claro que referenciar isto quase que chega a ser excessivo para quem já tanto celebrou com a vitória na Eurovisão, um privilégio não aconselhado a cardíacos. Porém, sabemos de experiência, que não há (felizmente) euforias eternas e até agora se aconselha algum tempero. "Sermos bons e os melhores dos melhores" sabe bem e reforça-nos a auto-estima mas não nos pode fazer ignorar que fora de portas também há muita coisa boa e ao nível dos melhores dos melhores. È o que tencionamos partilhar ao longo dos próximos dias: O que fora de Portugal também é MUITO BOM e que nos pode  (deve) inspirar!

domingo, 14 de maio de 2017

Ensinar a Europa a sonhar




Em 1990, há cerca de 27 anos!,  perguntavam a Agostinho da Silva o que é que um país como o nosso, pobre e longínquo do centro do continente, poderia dar à Europa e ao Mundo. A angústia era compreensível. Preocupava-nos um futuro já sem um império de 500 anos, tínhamos acabado de aderir à "Europa", casa de onde nunca tínhamos saído, mas que uma ditadura psicopata não só não deixou entrar como insistia em convencer-nos de que nem tão pouco lhe pertenceríamos.

Nada que atrapalhasse Agostinho da Silva. Achava não só muito bem que tivéssemos entrado na CEE -  os portugueses precisavam de redescobrir a Europa, mas sobretudo a Europa precisava de descobrir Portugal! O que lhes tínhamos para dar, à Europa e ao Mundo, era muito mais importante do que imaginávamos! Nós PRECISÁVAMOS de os ensinar a sonhar!

Isto dito assim em 1990 era pura patetice! Ontem, os irmãos Sobral, cumpriram-se e cumpriram-nos. E enquanto celebramos numa justificada e merecida euforia sem precedentes, Agostinho da Silva, a existir, estará certamente a sorrir.

O que aconteceu ontem não é explicável pela física convencional. Poder-se-á pensar que foi uma enorme colheita que coroou 50 anos de participações de dezenas de intérpretes, poetas e compositores que nunca cederam e que cantaram sempre em Português, alguns dos nossos mais belos poemas, Simone de Oliveira, Paulo de Carvalho, Fernando Tordo, Carlos Mendes, Ary dos Santos, Carlos Paião, Sara Tavares e tantos tantos outros que semearam, semearam e voltaram a semear para que ontem pudéssemos, ao fim de 49 anos, colher frutos.

Porém, trazer o caneco não foi só uma bela colheita que resgatou todas as nossas participações anteriores,  foi, como dizíamos no nosso último post, semear e semear em larga escala! Mas ainda conseguiu ser mais do que isso: Foi ensinar-nos a sonhar!

E quando se semeia, colhe e sonha desta maneira, tem de se entrar no domínio da física quântica para começar a descortinar um pouco o que Agostinho da Silva nos queria dizer há 30 anos!


sexta-feira, 12 de maio de 2017

Semear em larga escala


Há mil e uma maneiras de semear, à mão, de avião, com máquinas, muito depressa ou mais devagar, assim e assado.... Mas o que os irmãos Sobral fizeram terça-feira e vão voltar a fazer amanhã em Kiev é simplesmente uma das maiores sementeiras em larga escala que se pode ambicionar fazer em Português! Isto sim é semear com a mais avançada tecnologia. Ao seu lado, as estepes cerealíferas da Ucrânia não passam de agricultura de subsistência! Até porque, como escrevia Natália Correia: "Ó subalimentados do sonho! a poesia é para comer."

Que isto seja evidente para todos os que nos seguem fora de Portugal e que poderão votar amanhã no festival da Eurovisão!

quarta-feira, 3 de maio de 2017

O encanto das plantas autóctones na revista Jardins


Se há mês em que não qualquer dúvida sobre o potencial ornamental da nossa flora autóctone, esse é o mês de Maio! Basta sair dos aglomerados urbanos, evitar as extensões de monocultura florestal, e deixarmos-nos inspirar pelas paisagens desenhadas pela Natureza.

E em boa altura a Revista Jardins, com quem tivemos o privilégio de colaborar na edição de Outubro de 2006, colocou agora On-line o artigo que escrevemos a propósito do potencial da nossa flora nos jardins mas também noutras vertentes.

Para quem não teve oportunidade de ler a Revista de Outubro AQUI podem encontrar uma síntese do mesmo! Se servir de inspiração a algum leitor para melhor usufruir o mês de Maio... Perfeito!

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Dia das Maias


O 1º de Maio é em muitas localidades do centro e sul de Portugal Dia das Maias. Cumprido a preceito, implicaria que ontem tivesse sido colhido um ramo para pendurar antes da meia-noite na porta da casa, garantindo por tradição uma estação de fartura e que o mau-olhado ficasse à porta.

Que Maio é mês de exuberância, é fácil de concluir em qualquer passeio que se faça para fora dos aglomerados urbanos. O que já não é tão claro são as origens mais profundas desta tradição e do seu significado.

Para os Gregos e Romanos Maya era a Deusa da fecundidade e, como tal, da Primavera, tendo-lhe sido consagrado o quinto mês do ano, o que explica, como partilhamos AQUI, que Maio seja ainda hoje o mês consagrado às mulheres. Porém a celebração do início da estação da abundância não foi um exclusivo greco-romano e é claro que outros povos, anteriores ou seus contemporâneos, tinham neste dia uma data central.

No nosso caso e à falta de evidências, o facto de ser celebrado sobretudo nas regiões centro e norte, leva-nos a crer que a tradição das Maias tenha raiz seja céltica. Um povo que cá chegou no I milénio a.c e que se disseminou pela maior parte do nosso território, embora marcando de forma mais significativa o noroeste peninsular, onde hoje as tradições celtas são alvo de uma revitalização assumida.

Que sendo pagãos e obviamente menos organizados que os exércitos romanos tinham a "ciência" de tal forma avançada, que baseados nos ciclos que observavam na Natureza, era para eles óbvio que no nosso hemisfério, o ano começava no fim de Outubro e só existiam duas estações: Um período escuro e invernal que se iniciava aí e um Verão claro de abundância que se assinalava a 1 de Maio, com um festival maior, por ser a altura de maior enegia da estação, designado de Beltane.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Um dia vou semear...

Germinação de cravos-vermelhos, cultivar, Dianthus caryophyllus

UM DIA... Ah um dia, vou fazê-lo...., mas,   e se não dá certo,... é melhor esperar mais um bocadinho...tem de se ter calma....e paciência, isto é mesmo assim não é.... e se se morre!?! ....ahhhhrrrr e os mortos o que é que iriam pensar..também não se sabe bem como se se faz... no fundo até estamos bem assim...temos de saber dar o valor ao que temos..., há mesmo muito pior, Olha os outros....porque é que não te distrais, ollha, vê uma série! MAS UM DIA....ok, daqui  a um ano pensamos nisso, que agora não está bom tempo...será mesmo preciso!?!...devagar que isso acaba por acontecer pelo acaso, ou aparece alguém de certeza que o faz sem darmos por ela... às tantas nem nem vai ser preciso..MAS UM DIA.... UM DIA......UM DIA vou semear....AQUELE FOI O DIA! Há 43 anos! Obrigado!



terça-feira, 18 de abril de 2017

Um dia vou oferecer cravos...


....o próximo dia 25 De Abril será o dia!

E para muitos de nós essa é uma extraordinária tradição que muito simbolicamente repetimos há 43 anos, desde 1974.

Um dia de tal forma fundador, que assinalámos em 20152016. mas que este ano comemoraremos com uma edição especial de sementes de cravos vermelhos.

Apesar de existirem belíssimas espécies do género Dianthus na nossa flora autóctone, são 9 de acordo com o portal FLORA-ON, da Sociedade Portuguesa de Botânica, os cravos  vermelhos que ficaram indissociavelmente ligados a Portugal são de um cultivar, isto é de uma espécie que outrora  existia na Natureza e que ao longo de dezenas de gerações foi sendo domesticada e apurada para produzir flores mais exuberantes e mais perfumadas.

Por regra nós preferimos as singelas flores silvestres nativas, todavia não sendo nós ortodoxos, tomamos como nossas as espécies que se fizeram silvestres e ganharam direitos de cidadania (os acantos, os ciprestes, as olaias ou as capuchinhas são alguns exemplos).  O que vale também para os cultivares, sendo que este, muito em particular, entrou nos genes da nossa identidade. Daí que seja com muita satisfação que este ano nos associamos ao tributo que todos devemos à nossa revolução de 1974.

Por razões incompreensíveis alguns de nós vêm no cravo uma flor partidarizada. Mas não é, nem pode ser visto dessa maneira! É altamente politizada sim, mas ao nível do melhor que podemos almejar. Um símbolo de um acontecimento maior da nossa Historia que de forma única  nos conduziu sem mortos nem guerra à Democracia e à Liberdade: um valor, senão "O valor", fundamental da nossa sociedade.

Um símbolo que por mero acaso  tem a génese num "banal" acto de generosidade da senhora Celeste Caeiro que naquele dia, não tendo mais nada para oferecer aos soldados que se movimentavam nas ruas, deu o que tinha a um deles: um enorme ramo de cravos, que os soldados prontamente distribuíram e colocaram nos canos das espingardas.

Há actos singelos de enormes repercussões! E este é um bom exemplo de como até os maiores eventos podem ter origem  em nano-atitudes. microscópicas, desinteressadas e sem qualquer pretensão de perdurarem para a eternidade. Teria  sido a nossa revolução diferente se Celeste Caeiro não tivesse oferecido cravos naquele dia? Talvez não, porque somos um povo de paz, mas graças a ela e para o mundo inteiro, a flor de Zeus (Dianthus em latim quer dizer isso mesmo) juntou-se ao já nosso já imenso património colectivo e é hoje reconhecido como um símbolo de Portugal!

À senhora Celeste Caeiro, hoje com 83 anos, que há 43 disse que um cravo se oferecia a qualquer pessoa, o nosso obrigado e sincera homenagem!


Nota Final - A nossa edição especial de sementes de cravos vermelhos estará à venda a partir de hoje exclusivamente nas lojas da Vida Portuguesa e da Bairro Arte. Não estará disponível na nossa loja On-line. O 25 de Abril fez-se nas ruas e é nelas que é obrigatório celebrar o dia em que o Povo saiu à rua e pôs termo a uma ditadura de 48 anos. Para que pelo Chiado, Cedofeita, Clérigos, Bairro Alto, Intendente, Alcântara, Cais-do-Sodré possamos voltar a sentir a brisa da liberdade e fraternidade como naquele dia, são os nossos votos!



domingo, 16 de abril de 2017

Sugestões de jardinagem V


Com a Páscoa a chegar ao fim não queríamos terminá-la sem partilhar mais uma sugestão de jardinagem inspirada por uma das paisagens nossas preferidas!

É um facto que esta é uma sugestão que não está ao alcance de todos, pois será necessário algum espaço, mas se houver alguém que podendo fique com vontade de o fazer depois deste nosso post, já valerá a pena!

As Olaias, que para muitos é apenas nome de bairro de Lisboa, são uma árvore frequentemente utilizada em espaços públicos. Poderemos não a conhecer pelo nome, mas todos nós já passámos certamente por elas e apreciámos,nos princípios da Primavera,  a sua abundante floração cor-de rosa que é prévia ao aparecimento das folhas. 

Os Freixos, outra árvore pela qual passamos com frequência sem conseguir chamá-la pelo nome, povoa as margens de rios e ribeiras de todo o nosso país e é provavelmente a espécie ripícola (para quem não sabe, ripícola refere-se ao que habita nas margens dos rios) de maior porte que temos e as suas qualidades e currículo deveriam dispensar aqui quaisquer apresentações. 

Ambas as espécies são frequentes, os freixos mais em linhas de água e as olaias mais em espaços urbanos, mas quase raramente as vimos juntas. E é juntando a luminosidade do verde das primeiras folhas dos Freixos com a exuberância dos rosas das Olaias que ambas se transcendem proporcionando magníficos efeitos estéticos.

Dissemos raramente, porque por vezes o "acaso" proporciona-nos o encontro das duas espécies. E o médio Tejo, de Abrantes a Santarém, Entroncamento, Torres Novas e arredores estão cheios de galerias ripicolas de Freixos, salgueiros, amieiros e choupos pontuados aqui e ali por Olaias.

Sabendo nós que a Olaia nem é uma espécie autóctone - embora por cá esteja há muitos séculos, possivelmente trazida pelos Romanos do médio-oriente, não deixa de ser curioso tentar perceber quem as ali pôs e com que intenção. Não lhe são conhecidas mais-valias económicas e pela madeira não será, pois é de crescimento lento. Resta-nos a suposição de que foi mesmo pelas necessidades imperiosas de beleza, que até os simples têm, queos agricultores desta região fizeram questão de as juntar aos freixos que bordavam as linhas de água.

Salvo opinião em contrário as Olaias, árvores de médio porte da família das leguminosas denominadas  Cercis siliquastrum, não são invasivas e requerem pouco ou nenhum cuidado. Têm um crescimento lento e preferem solos húmidos, embora também sobrevivam em solos mais secos.

São pois o que poderíamos chamar de "árvores exóticas que ganharam direito de cidadania" tantos são os séculos que por cá andam!

Por fim e porque estamos na Páscoa, uma referência que não é de somenos importância. As Olaias são igualmente conhecidas como sendo a árvore-da-judeia ou árvore-de Judas, por se acreditar que foi numa delas que Judas Iscariotes pôs termo à sua vida depois de se seduzir por 30 moedas prata. A ser verdade, fica evidente a compaixão de quem lhe preservou o nome. Razão talvez pela qual as Olaias sejam ainda e também vulgarmente, conhecidas por.... Árvores-do-Amor!

Para terminar e para desfazer quaisquer duvidas sobre os méritos desta nossa sugestão, um link para um artigo que a Teresa Chambel escreveu há quatro anos no seu blogue Um Jardim para cuidar:AQUI.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Sigmetum - O viveiro das plantas autóctones


Quem nos acompanha desde o início do nosso projecto sabe da nossa ligação e colaboração com a Sigmetum, pelo que o que vamos dizer a seguir não é nem novo nem estranho. Mas para os muitos que só mais recentemente nos conhecem, gostaríamos de partilhar o que para nós é um viveiro de plantas, como todos deveriam ser!

É um facto que o nosso país tem mais garden-centers que revendem plantas importadas do que propriamente viveiros com produção nacional, mas daí a pensar que nada se faz e que o que é bom só lá fora vai um passo demasiado largo. A verdade é que também temos projectos de topo ao nível do que melhor se faz no mundo e a Sigmetum é um desses projectos.

Localizada no perímetro da tapada da Ajuda - ISA - Instituto Superior de Agronomia, a Sigmetum é a único empresa que existe no nosso país  que está especializada em plantas autóctones. Direccionada para responder às necessidades de projectos de arquitectura paisagista e de renaturalização, a sua equipa tem apostado sistematicamente na produção de espécies que atá aqui era impossível encontrar no mercado. 

E, para nossa grande satisfação, algumas dessas espécies estão a ser produzidas a partir de sementes por nós fornecidas. Os Rosmaninho-verde (Lavandula viridis), os Samoucos (Myrica faya), os Alfinetes (Centhrantus ruber)  ou as euforbias (Euphorbia segetalis) são algumas delas.

Uma boa parte da razão de ser do nosso projecto é estimular qualquer pessoa a germinar as suas próprias sementes. Mas para todos aqueles que, por uma razão ou por outra, ainda o não pretendem fazer, é hoje perfeitamente possível utilizar plantas nativas já prontas a ir para a terra.

A Sigmetum está aberta ao público em geral todas as quartas-feiras de manhã e visitar o seu viveiro é no mínimo um excelente passeio. A começar pelo facto de se situar num dos espaços mais incríveis e desconhecidos de Lisboa - uma tapada com mais de 100 hectares, em pelo centro da cidade, que se desenvolve em anfiteatro com vistas para o Tejo. Onde, além de bosques e campos de cultivo se podem ver garranos e o magnifico centro de exposições do rei D. Carlos, só para dar alguns exemplos das muitas coisas boas que por lá se podem observar!

Nota - Para entrar de carro no espaço do ISA - Instituto Superior de Agronomia/Tapada da Ajuda,  o que se recomenda dada a dimensão, paga-se 1,5 Euros, um valor simbólico, que a equipa da Sigmetum deduz depois no valor das compras.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Sugestões de jardinagem IV


Das muitas falhas que temos há umas mais flagrantes que outras, mas esta era imperdoável! Há mais de 3 anos a publicar sobre espécies da nossa preferência e ainda não tínhamos partilhado uma simples publicação sobre um dos géneros mais ornamentais que temos na nossa flora nativa: As urzes!

A demora tem alguma razão de ser e prendia-se com as dúvidas que tínhamos sobre como recolher e seleccionar as suas (minúsculas) sementes, mas também porque com frequência ouvíamos referir que era extremamente difícil germinar as suas sementes, e que a única solução seria propagá-las por estacaria. Como entretanto as experiências que temos feito nos têm demonstrado precisamente o contrário, sendo até relativamente fácil obter urzes por sementeira, arriscamos-nos agora a incentivar a sua utilização em jardinagem.

Sugestão que, refira-se, nada tem de inovador. Quando chega o Outono, os nossos garden-center enchem-se de cultivares de urzes, provenientes de viveiros especializados, e que enchem o olho de toda a gente! Mas como entre cópias e originais preferimos quase sempre os últimos, não há razão nenhuma para não utilizar duas das espécies autóctones mais vistosas que temos: a Erica lusitanica, branca e regra geral conhecida como Urze, e a Erica australis, normalmente conhecida por Urze-vermelha (embora as suas flores sejam de cor rosa!).

Ambas as espécies são arbustivas, alcançando facilmente os 2 metros de altura, e a partir de fins de Janeiro até meados de Abril cobrem-se, literalmente, de milhares pequenas flores em forma de campânulas. Para satisfação das abelhas que as polinizam mas às quais é impossível ficar indiferente pela inequívoca beleza do efeito estético que proporcionam.

Embora na Natureza não surjam juntas, nada impede que o façamos em jardinagem beneficiando dos seus contrastes cromáticos. Em regra preferem solos ácidos ou siliciosos (arenosos, por exemplo) mas pelo que observamos não é requisito essencial. Preferem isso sim solos frescos e que retenham humidade durante grande parte do ano, se possível com sombra e virados a Norte (o que serve sobretudo para a E. lusitanica). A E. australis, tolera melhor a exposição solar mas também não é forçoso que assim seja.

Uma palavra final para a família destas duas espécies, as Ericácias, e à qual pertencem os Medronheiros (Arbutus unedo), as Camarinhas (Corema album) e os populares mirtilios. Para além de outras espécies vulgarmente conhecidas como urzes, como partilhou há cerca de dois anos a Fernanda Nascimento no seu blogue Flores do Areal - AQUI - e cuja leitura recomendamos!

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Sugestões de Jardinagem III


Se na nossa última sugestão enaltecíamos a sobriedade da floração do Adernos-de-folhas-estreitas e dos Sanguinhos das sebes, contrapomos hoje duas outras espécies, essenciais a ter em qualquer jardim que privilegie a flora nativa, que primam pela generosa e longa floração.

Os Folhados (Viburnum tinus) e os Pilriteiros, ou espinheiros (Crataegus monogyna) são espécies perfeitamente adaptadas a todo o nosso território nacional e não necessitam de qualquer cuidado especial. Claro que não dizem que não a solos mais frescos, mas mesmo em solos secos e nos Verões mais rigorosos são perfeitamente capazes de sobreviver.

Como características principais salientamos a demorada floração dos Folhados - praticamente desde meados de Janeiro até ao fim de Abril - e menos demorada mas mais intensa floração dos Pilriteiros durante o mês de Abril e que faz desta árvore média rivalizar com as árvores geralmente utilizadas para esse fim como as cerejeiras ou as ameixoeiras utilizados em jardinagem.

Porém a sua segunda época de glória, no Outono, não fica nada atrás da primeira. Uma abundante floração significa regra geral uma generosa produção de frutos e é isso que estas espécies oferecem á auvifauna que se quiser abeirar do jardim, como referíamos AQUI há 3 anos e meio. Além de  que são inequivocamente estéticos - um Pilriteiro, já despido de folhagem, e carregado de frutos vermelhos é um postal de Natal em qualquer parte do nosso país, e o azul-metálico das bagas dos folhados não o são menos.

Por fim e para dissipar as dúvidas aos que apenas vão lá pelo estômago, um argumento final: Os frutos do Pilriteiro, possuem uma polpa comestível que há 2000 anos os romanos já transformavam em marmeladas! São pois qualidades a mais para que ainda seja uma espécie mal-amada dos nossos campos onde para muitos não passa ainda de uma desprezível espinheira, numa miopia nada fácil de explicar!

domingo, 9 de abril de 2017

Domingo de Ramos 2017


A primeira quinzena de Abril é regra geral uma boa semana para jardinar, mas  quando a mesma coincide com a Páscoa e se tem a sorte de ter uma semana de férias, então é certo e garantido que se terá uma semana perfeita!

Em sentido lato, ocuparmos-nos dos jardim, de plantas ou de flores vai muito além das opções eminentemente estéticas. Não é obrigatório, mas se não tivermos dificuldade em perceber o valor simbólico de quase tudo o que nos rodeia, então o exercício sai claramente beneficiado.

Vem isto a propósito de hoje ser o Domingo de Ramos, uma data especial para todos os cristãos e que marca o início da semana-santa e das celebrações pascais que culminarão no próximo Domingo de Páscoa. É verdade que para alguns isto é tema que só interessa a católicos praticantes, porém mesmo que nos tenhamos expurgado de todas as práticas, continua a existir em nós, enquanto sociedade de matriz judaico-cristã, uma dimensão espiritual que é inerente à nossa própria humanidade.

O Domingo de Ramos, a par do Dia das Maias e do Dia da Espiga, é um desses dias que gostamos de assinalar. Por fazerem parte do nosso património imaterial mas sobretudo pelo seu forte e perfeitamente actual simbolismo. Como referimos AQUI, há cerca de dois anos, assinala a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, recebido por uma multidão em euforia que o acolheu como um rei, com palmas e ramos de oliveira. Os trágicos eventos que se seguiram a esta festiva recepção são conhecidos de todos nós e mudaram irreversivelmente o curso da historia da humanidade nos 2000 anos seguintes e demonstram que naquela altura, como agora,  se pode passar de bestial a besta com sem grande dificuldade. Alguns dias mais tarde e devidamente manipulada, a mesma multidão que o acompanhou pelas ruas em festa, exigiu sem qualquer dúvida a sua crucificação!

Qualquer semelhança com os dias de hoje será naturalmente pura coincidência, mas  são demasiadas as leituras que podem ser recolhidos dos factos para que se deixe passar o dia em vão, apenas porque não se é católico dito praticante!

Dai que, mesmo que não se tenha intenção de participar em nenhum procissão de ramos, das muitas que hoje se realizaram por todo o país, valha sempre a pena constituir um ramo. Não há propriamente uma lista fechada de quais as espécies que o devem integrar e, além dos ramos de Oliveira, Alecrim e Rosmaninho, para nós essenciais, quaisquer outras flores podem entrar na composição e o gosto com que se fizer determina que fique abençoado. Neste juntámos tremoço-amarelo (Lupinus luteus), bocas-de-lobo (Antirrhinum cirrhigerum) cristas-de-galo (Gladiolus italicus) e erva-das-sete sangrias (Lithodora prostrata).

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Sugestões de jardinagem II


Nem só de flores vistosas se faz uma Primavera, e nesta matéria a Natureza também nos dá vários exemplos de que é possível fazer as coisas com alguma discrição! E com efeito, são diversas as espécies de plantas cujas flores não correspondem ao standard expectável das "enormes pétalas e cores fulgurantes" que os garden-centers tanto nos ensinaram a gostar. Os carvalhos ou os castanheiros são um bom exemplo de floração "pouco convencional", mas há outras que exibem flores tão minúsculas e discretas que custa a acreditar que seja mesmo por ali que aquele ser-vivo se reproduz. 

O Sanguinho-das-sebes (Rhamnus alaternus, fotos da esquerda) e o Aderno-de-folhas-estreitas (Phillyrea angustifolia, fotos da direita) são duas dessas espécies e que colhem a nossa preferência, depois das Roselhas e das Pascoinhas do nosso último post.

Além de se encontrarem em floração desde o fim de Fevereiro, são duas espécies que poderíamos considerar como essenciais em qualquer jardim que se queira ecologicamente mais rico e sustentável. 

Além de muito pouco exigentes em matéria de água, uma vez que estão perfeitamente adaptados aos longos períodos sem chuva dos nossos Verões, são duas espécies arbustivas ideais para que um jardim tenha aqui e ali tão necessária e rara sobriedade que muitas vezes nos falha. Sempre verdes e de folhagem abundante durante todo o ano, ajudam em sebes ou pequenos aglomerados, a evitar o erro do excesso, que é e fazer um jardim só de flores.

Mas fazem mais, muito mais, de forma discreta e sem alardes! No início do Verão os Sanguinhos-das-sebes e, mais tarde, no fim de Setembro e Outono, os Adernos, frutificam abundantemente proporcionando alimento a morcegos e pequenos pássaros numa altura em que ele já escasseia e que em troca lhe agradecem dispersando as suas sementes!

E se isto já é muito, os sanguinhos-das-sebes fazem o pleno durante toda a Primavera, rindo-se baixinho de quem escarneceu das suas flores minúsculas: é que as larvas das Cleópatras, Gonepteryx cleopatra, de um verde-limão que tanto nos delicia o olhar, alimentam-se exclusivamente das suas folhas. E sem estas não seria simplesmente possível ter por perto esta espécies de borboleta, seguramente uma das mais bonitas que por cá habitam.

Dito isto,terminamos com o que é já evidente para todos o que chegaram até aqui: nada é por acaso e há um claro evidente propósito moral na Natureza quando apurou estas espécies. E mais não fosse, só por isso, já valeria a pena ter estas plantas por perto. Para nos lembrarem do que, despojado de vaidade, prescinde da exuberância das magnificas flores para mais tarde se transcender silenciosamente em delicadas e graciosas flores que voam!





Nota Final - Os aspectos que acima referimos são para nós os essenciais mas há muitos outros que vale a pena aprofundar. A começar pela sexualidade particular de ambas: Os Sanguinhos-das-sebes são uma espécie dioica e os Adernos-defolha-estreita uma espécie androdioica. o que é relativamente raro nos conjunto das plantas com flor (as angiospermicas, e que são a maioria das plantas que nos rodeiam). O tema é tão vasto e nós somos tão ignorantes na  matéria que nem nos atrevemos a entrar aqui no tema! Mas para quem quiser saber mais sobre estas duas espécies sugerimos vivamente  a leitura dos dois completos artigos que a Fernanda Nascimento escreveu há três anos no seu blogue Flores do Areal: AQUI AQUI!

Nota final II - Uma curiosidade: O nome vulgar da espécie Rhamnus alaternus, Sanguinho-das-sebes, deve-se ao sumo das suas bagas, de cor tinta, o qual durante séculos foi utilizado em tinturaria.

domingo, 2 de abril de 2017

Sugestões de Jardinagem I


 

Fazer sugestões de jardinagem no fim de alguns dias primaveris é, ao contrário do que possa parecer, tarefa ingrata. Para começar, e por muito que vender sementes deva ser o nosso foco, a nossa primeira recomendação para esta altura do ano é mesmo a de usufruir o início da estação onde a Natureza é mais exuberante: Isto é no meio dos muitos e bons espaços naturais de que o nosso país está cheio. seja sozinho ou acompanhado, nas montanhas ou na costa, em percursos ou actividades de família, a tirar fotos ou simples passeio. O importante é usufruir e constatar com gratidão que as plantas que nos rodeiam longe de serem uma massa verde disforme e sem nome, são seres a pulsar de vida!

Depois e para aqueles que têm o privilégio de ter uma varanda, um quintal ou um jardim, inspirados pelo que viram, há todo um sem número de  boas sugestões que  se podem fazer! Dizemos que é tarefa ingrata porque entre tantas possibilidades, temos dificuldade em escolher. Mas também porque nos dias de hoje habituámos-nos, erradamente, à ideia de que só é compensador jardinar se tiver já flores vistosas e prontas a colocar na terra. Sucede que esta forma rápida de satisfação nem sempre é, no médio e longo-prazo, a mais compensadora forma de abordar o tema. 

Estamos em boa época de usufruir das Primaveras, mas das já semeadas! O que agora podemos fazer é começar já a trabalhar na próxima Primavera, aproveitando as boas condições para a germinação de sementes. Semear nesta altura, sobretudo em ambiente controlado (i.e. que podemos acompanhar e regar) tem a grande vantagem de podermos fazer crescer nos próximos 6 meses as árvores e arbustos que queremos colocar na terra no próximo Outono.

Dito isto, as sugestões.

Temos várias, algumas pouco ortodoxas, mas para não espantar desde já eventuais leitores, começamos por uma de flores mais vistosas, de que é difícil não gostar. E neste capítulo há uma associação incontornável, para nós uma das mais felizes e de resultados assegurados: Roselhas e Pascoinhas. Duas espécies que desde sempre nos entusiasmaram e sobre as quais já publicámos diversas vezes no passado ( AQUI e AQUI).

Além de serem muito fáceis de germinar, ambas as espécies são pouco exigentes, não necessitam de qualquer rega e adaptam-se a diferentes tipos de solos, embora se deva dizer que não apreciam solos demasiado frescos e ácidos. Têm a grande vantagem de proporcionarem uma abundante floração que se inicia em Março e se prolonga pelo mês de Abril, entrando frequentemente pelo mês de Maio. Acrescentamos ainda o facto de disporem de folhagens igualmente interessantes, o que, sobretudo para a Roselha-grande, é ainda mais verdade, atendendo à cor verde-cinzento das suas folhas, que contrastam bem com outras cores!





segunda-feira, 20 de março de 2017

Primavera no Dia Internacional da Felicidade!


Desde as 10h29m de hoje, dia 20 de Março, que estamos oficialmente na Primavera. É certo que com mais frio e menos sol do que o que tivemos nas últimas semanas, mas no hemisfério norte do nosso planeta, astronomicamente falando, o equinócio da Primavera - o momento em que a duração do dia iguala da noite, aconteceu nesse preciso momento.

Curiosamente, o nosso primeiro dia de Primavera coincide este ano com o Dia Internacional da Felicidade, dia 20 de Março,  definido em 2012 pelas Nações Unidas, como o melhor momento para nos relembrar a todos que a "a busca busca da felicidade é um dos objectivos fundamentais do ser humano”. Há, como sabemos, dias para tudo e este nem nos tinha passado pela cabeça que fosse importante assinalar, mas reconhecemos que o dia é bem escolhido - Muito embora para quem viva no hemisfério Sul fique antes associado ao Outono, o que não sendo uma estação propriamente triste, está longe de acompanhar a ideia geralmente aceite de alegria.

Questiúnculas à parte, o relevante é que faz todo o sentido assinalar o que para muitos de nós é a estação  mais feliz do ano. Se associarmos isso à necessidade de, na linha do indicador da "Felicidade Bruta Nacional" medido pelo Butão desde 1972, prosseguirmos "uma abordagem mais inclusiva e equilibrada ao crescimento económico que promova o desenvolvimento sustentável e o bem-estar”, tanto melhor! Até porque também para nós é inquestionável que felicidade pressupõe estarmos em harmonia com todos os elementos que nos rodeiam e que fazem deste planeta a nossa casa-comum.

Os próximos 92 dias, até ao dia 21 de Junho - dia em que ocorrerá  o solstício de Verão, são dias propícios para semear e sobretudo para usufruir da generosidade da Natureza. Dias cada vez mais longos que começam agora ligeiramente mais frios, em tons de verde, com muitas plantas já em flor, mas que irão em crescendo de exuberância, temperatura e cor até aos máximos dos meses de Maio e Junho!

Na realidade a Primavera não é toda igual e não poderia ser de outra forma. Em cada dia que passa, percorremos cerca de 2 milhões 580 mil quilómetros na nossa órbita em torno do sol. Podemos não nos aperceber da velocidade, nem sequer ter justificadas vertigens, mas indirectamente e dia após dia, percebemos que isto não pode estar parado!

E como gostamos dessa percepção, também nós mudamos a nossa capa e cor dominante. Desta vez para os múltiplos tons de verde esperança que por todo o lado emergem nas jovens folhas que agora rebentam. Apreciamos todos sem excepção, mas os que por esta altura se observam nas galerias ripículas, lagoas e paúis do nosso país enchem-nos de genuína felicidade. Como os da imagem acima, onde freixos, salgueiros, amieiros e tantas outras espécies que habitam o paúl de Arzila - Coimbra, se desdobram em outras tantas tonalidades de verde!

A todos os que nos seguem, os votos de Feliz Primavera ou se preferirem, os votos de boa viagem para os próximos 236.256.000 Km que iremos percorrer.


quinta-feira, 16 de março de 2017

Germinar é possível!?!?


Sim é! E para nós esta é mesmo uma das ideias-chave do nosso projecto. Germinar, contrariamente ao que muitos possam pensar, não é de todo uma ciência esotérica e está ao alcance de qualquer um de nós observar a vida de uma planta, seja ela uma árvore, um arbusto ou uma flor,  a despontar!

É certo que algumas espécies exigem alguns truques, mas a grande maioria da nossa flora desenvolveu uma sofisticada tecnologia de reprodução que à primeira oportunidade dá início ao seu ciclo de vida: Luz, temperatura a rondar os 16º - 20º C e humidade q.b. são na maior parte dos casos os únicos requisitos.

Claro que quando nos queremos iniciar nas artes da germinação os aspectos logísticos e práticos são importantes e hoje em dia, quando a maior parte de nós vive em meios urbanos e dispõe de casas mais pequenas, a forma como o podemos fazer é muito relevante.

Foi a pensar nas muitas pessoas que querem germinar sementes de forma económica e o mais eficaz possível, que concebemos os nossos Kits de germinação. Contendo alvéolos e tabuleiros de germinação, acompanhados da quantidade exclusivamente necessária de substrato, perlite e fibra de o coco, deixará de ser necessário despender um valor significativo a adquirir materiais dos quais acabaríamos por só utilizar uma pequena parte. Além do valor gasto era muitas vezes a sensação de desperdício que nos desmotivava a experimentar!

Agora que nos aproximamos do fim do Inverno e a Primavera está aí à porta, voltam a estar reunidas as condições perfeitas para fazer nascer sementes. É certo que preferimos o Outono para o fazer mas é nesta altura, em que a Natureza nos brinda com máximos de floração, que nos é mais fácil identificar as plantas que gostaríamos de ter ao pé de nós! as estevas, as pascoinhas, as roselhas e tantos outros arbustos que a partir de agora começam a florir nas nossas paisagens são apenas algumas das muitas espécies que nos podem inspirar!

É verdade que o que semearmos hoje só florirá na próxima Primavera de 2018! Mas é por aqui que podemos ter o privilégio de começar a tomar nota dos ciclos do nosso planeta!

Para todos aqueles que decidirem que SEMEAR é agora mesmo! disponibilizamos na nossa loja Online 3 kits diferentes. Desde vasos em fibra-de coco aos tabuleiros com 24 alvéolos. Com tudo o que é necessário e sementes incluídas! Aqui:

www.sementesdeportugal.pt/loja


PS - Alguns de nós ficam tentados a pensar que será mais fácil ir ao campo e tentar arrancar para posteriormente transplantar nos seus jardim, as plantas da sua eleição. É compreensível, pois frequentemente a exuberância da floração que observamos é tal que queremos aquele arbusto de imediato! Mas essa é uma hipótese totalmente desaconselhada por nós. Além de desfigurarmos o que já estava bem, dificilmente as plantas transplantadas nesta estação do ano sobrevivem. Por muitas raízes que se consigamos trazer, toda a energia da planta está nos seus ramos e flores pelo que o enraizamento não será bem sucedido e o que era um belo arbusto ao alcance de todos, acabará por morrer!

sexta-feira, 10 de março de 2017

Recapitulando: Porque é que as plantas são (mesmo) importantes!





Apesar de tecnicamente estarmos no Inverno, os dias primaveris que temos tido anunciam que a mudança de estação já está para breve. É possível que ainda tenhamos mais alguns dias de Inverno, provavelmente a entrarem pela Primavera adentro, mas o ritmo de translação do planeta a 30 Km por segundo é inexorável e a época de maior glória para a vida na nossa latitude estárá aí para ser usufruída nos próximos meses!

Este é pois um bom momento par voltar a partilhar um pequeno video que publicámos AQUI pela primeira vez há dois anos. Está em inglês, mas para quem não estiver à vontade também não será difícil perceber o seu sentido geral.

E o sentido é ajudar a compreender porque é que as plantas que nos rodeiam  são mesmo importantes para nós enquanto seres vivos habitantes deste planeta. É possível que para alguns gostar de árvores, plantas e flores seja um gosto quase bizarro e de reduzido interesse, chegando a desconfiar se tais "coisas" vegetais entram na categoria de seres vivos. 

Mas entram! E entram há pelo menos 3 600 milhões de anos que é a altura em que se estima ter começado a existir vida no nosso planeta.  Vida complexa que tem nos reinos das Plantas e dos Animais a sua expressão mais visível para nós. (Sendo certo que não a esgota, os 3 outros reinos são os dos Fungos; das Algas Unicelulares e o das Bactérias).

Para nós o interesse sobre a flora, apesar de circunscrito à flora silvestre de Portugal, é vasto. Mas a sua importância é evidentemente muito superior à que nos ocupa por muito que frequentemente nos dispersemos por um sem número de vertentes.

Além de nos proporcionarem a nós humanos um sem número de utilidades, são as plantas que estão na base da vida complexa que observamos. Presenteiam-nos com beleza inexcedível e produzem o oxigénio que respiramos. Mas mais do que isso, dos princípios activos para medicamentos, da madeira e até dos combustíveis fosseis,  são a tecnologia mais sofisticada que alguma vez poderemos desejar possuir para processar e transformar a energia do sol em infindáveis formas de energia aptas a animar de vida milhões de espécies animais. São as plantas que estão na base de todos os ecossistemas de vida.

E só isto, sendo que isto é tudo!, era suficiente para nos maravilharmos com a extrema sorte que temos em partilhar este planeta com as tantas formas de vida que nos Reinos das Plantas e dos Animais nele evoluíram até à forma actual!

A todos os que, incríveis reconfigurações de poeira estelar animada de vida, chegaram até estas linhas, os nossos votos de uma magnifica Primavera!